Autorretrato de Teisuke Kumasaka, em 1970. Arquivo de Edson Kumasaka, Design Gráfico, Fotografia e Vídeo.

Teisuke Kumasaka nasceu no Japão, em Fukushima, no dia 25 de Abril de 1901. Era o caçula de cinco irmãos. Imigrante japonês – Nikkei (trabalho, educação, honestidade e humildade).

Filiação: Ryosuke Kumasaka, pai.

Mine Kumasaka, mãe.

Nasceram cinco filhos e Teisuke era o caçula. Ossamu (primogênito), Riyoshichi, Kihei, Kosuke e Teisuke

Na infância, Teisuke Kumasaka ficou atraído por aquarelas e começou a estudar, e por amor à arte, tinha o livre arbítrio de treinar desenho. Os irmãos de Teisuke não o aprovavam pela iniciativa.

Teisuke gostava de esportes individuais, e no Japão, quando ainda era criança ...praticava natação em rios e correntezas e patins, no gelo, conforme entrevista a Ricardo Sérgio Assef Jorge, no Jornal A Gazeta de Lins, de 7 de dezembro de 1974.

O ensino educacional fundamental, Teisuke concluiu no Japão, no período de seis anos obrigatório, de 1907 a 1912. O Ciclo Shogakko, corresponde a seis anos do ensino fundamental de 1ª a 4ª série.

Chegou ao Brasil em 1914, com 13 anos, num dos primeiros contingentes de imigrantes japoneses, Teisuke Kumasaka foi inicialmente, para a região da Alta Paulista trabalhar na lavoura, permanecendo por cerca de seis meses, perante ao trabalho quase escravo que havia na região. Logo depois, insatisfeito com as condições de trabalho, foi para São Paulo e, em 1916, com 15 anos, assistia as aulas de desenho no Ateliê Michelangelo (na rua do Carmo) e após, seguiu para o Liceu de Artes e Ofícios, no bairro do Brás, em São Paulo, que o desagradou, abandonando o local por ter muito barulho que as crianças faziam.

Em 1918, Teisuke, com 17 anos de idade, se remanejou para o Rio de Janeiro, onde sobreviveu pintando porcelanas, e no período de 1923 a 1926, cursou pintura na Aliança Francesa, com o professor e retratista francês Auguste Petit, diretor do ateliê e retratista renomado de deputados e senadores de época. Estudou e aprendeu o estilo clássico, mas interrompeu os estudos, devido ao seu trabalho (viagens), em uma empresa comercial de artigos japoneses, que exportava e também importava.

No Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, Teisuke Kumasaka participou de campeonatos interclubes de tênis (era seu esporte favorito). Para Teisuke, considerava o esporte vital para o corpo e mente. “É uma higiene mental”. Praticou com bel-prazer em barra fixa e corridas, e admirava também ginástica de solo.

Nessa época, eclodiu o movimento modernista, com a Semana da Arte Moderna de 1922. Conforme artigo do jornal Correio de Lins, de 10 de julho de 1987, Teisuke Kumasaka estava: [...] mais influenciado pelos artistas acadêmicos, principalmente o paisagista pré-impressionista Antonio Parreiras e o neoclássico Bernardelli, (José Maria Oscar Rodolfo Bernardelli - 1852 – 1931), que o impressionaram profundamente. Pintando porcelana, copos, abajures [...].

Kumasaka viajou pelo interior do Estado de São Paulo e, em 1928, ancorou em Lins.

Conforme historiou José Roberto Franco da Rocha: O dia 28 de abril de 1928, foi um sábado de muita festa e agitação, na cidade de Lins. A música da Banda Rio Branco encheu de alegria os ares da madrugada linense, com a peculiar e já tradicional maneira do maestro realizar a alvorada festiva. Bandeiras foram hasteadas nas praças e nos prédios públicos, nas fachadas das grandes lojas de comércio e nos mastros das casas bancárias. Festões, fitas, panôs e bandeirolas coloridas engalanaram a cidade. Completavam as iniciativas das famílias que capricharam a decoração das principais vias e logradouros públicos.

A comitiva governamental, chefiada pelo Dr. Antônio Carlos de Salles Júnior, Secretário de Estado dos Negócios da Justiça e da Segurança Pública, chega à estação da Estrada de Ferro em vagões Pullman, da composição ferroviária especial do Governo Paulista. Dela fazem parte o coronel Pedro Dias de Campos, comandante-geral da Força Pública do Estado de São Paulo, os deputados federais José Maria Bello e César Vergueiro e os deputados estaduais Luiz de Toledo Piza Sobrinho e Hilário Freire, representante de Jaú no Parlamento Paulista, entre outras autoridades judiciárias e administrativas do Estado e da Região. Chegaram também, a Lins os componentes da Banda de Música e um esquadrão do “1.º Regimento de Cavalaria da Força Pública do Estado de São Paulo”, hoje denominado “Regimento 9 de Julho”.

Às 13 horas, a tropa e a banda militar já estavam em forma na rua Rodrigues Alves, defronte ao prédio n. º1, adredemente escolhido e adaptado para ser a sede do Fórum da nova Comarca. Fonte: José Roberto Franco da Rocha, A Banda Linense, Lins, 2000. Pág.57 a 59.

Neste dia festivo, passando pela cidade, Teisuke observou um movimento incomum, banda de música (regida pelo Maestro Vicente Rio Branco Paranhos), falações e muita gente circulando na rua daquele local.

Na calçada, Teisuke se sentou e retratou em aquarela o episódio instantâneo do ato num papel medindo 0,27 cm x 0,35 cm (total de área: 0.94,5 cm) pintada, sem saber o que estava acontecendo. Assinou o sobrenome KUMASAKA da aquarela com apenas uma letra S. Algum tempo depois, Teisuke soube que naquele evento ocorrido em 1928, se comemorava a instalação da Comarca de Lins, e espontaneamente, Teisuke ofereceu a Câmara a sua primeira aquarela “Instalação da Comarca de Lins”. (Grifo do organizador). Aquarela foi emoldurada com 0,57,7 cm x 0,46 cm, com paspatur de 7 cm. Total de moldura: 2m e 06cm.

A aquarela de Teisuke foi impressa na imagem de capa da obra “Lins e Seus Pioneiros”, do historiógrafo Altamiro Ghersel Ribeiro, em 1995, após 67 anos. É de grande valor histórico, (pois não existe qualquer fotografia daquela solenidade), e pertence ao acervo da Câmara Municipal de Lins como patrimônio.

Em Lins, Kumasaka aprendeu a fotografar com um amigo, e em 1930, instalou o estúdio de fotografia chamado “Foto Kumasaka”, situada a Rua Oswaldo Cruz, 429, em Lins, fundamentalmente pelo prazer e a dedicação artística.

Na década de 1930, Teisuke praticava tênis regularmente no antigo Lins Tênis Clube, posterior Clube Linense, e continuou por décadas, pois possuía abissal desenvoltura.

O autor Altamiro Ghersel Ribeiro, registrou em sua obra “Lins e Seus Pioneiros”, publicada em 1995, página 167, “onde grande número de linenses [...], tiraram uma fotografia para colocar num documento ou como recordação de uma data pessoal ou familiar.”

Teisuke conheceu a jovem Yasuko Matsuzawa (sobrenome enquanto era solteira) e sua família, algum tempo depois, se casaram no dia 12 de janeiro de 1933, em Lins.

Pela tradição japonesa, a esposa passou a ter o nome de Yasuko Sadako Kumasaka. Do enlace matrimonial, nasceram quatro filhos:

Paulo Massayoshi Kumasaka, Ruy Massaho Kumasaka, Guiomar Hiroko Kumasaka, que passou a ter o sobrenome Fukusen (após casada – Guiomar Fukusen) e Rubens Massanori Kumasaka (1943 - 2024, 81 anos). Os filhos procriaram e nasceram oito netos: Edson (publicitário), Denise, Jane, Marcos, Fani, Erika, Guilherme e Fernanda. Grifos do organizador.

Teisuke Kumasaka foi membro do Rotary Clube de Lins. Segundo o rotariano Israel Antonio Alfonso “Teisuke Kumasaka ingressou no Rotary em 12 de janeiro de 1946, algum tempo depois saiu da instituição (data ignorada), e retornou no dia 21 de dezembro de 1958.” Foi o primeiro japonês rotariano de Lins e do Brasil.

Na época, Teisuke fotografou o Prefeito Interino Mario Bueno Brandão (gestão de 1947). A foto mede 40 cm x 30 cm, e com moldura 50 cm x 40 cm, e simultaneamente, Teisuke Kumasaka pintou ativamente, dedicando-se mais aos retratos, pois pintava as fisionomias das pessoas com precisão, que foram a sua especialidade. Sua técnica foi a pintura a óleo sobre tela, mas pintava também paisagens, guaches, estudos, vaso de flores, usava também materiais como o crayon, o pastel, e com os abstratos (pintura moderna), tinha sucesso garantido. Apreciava, além disso, o estilo Impressionismo.

Teisuke pintou os quadros:

Da ex-vereadora Anna Carlota Arruda de Paula com antúrios, - vulgo “Dona Nenzica”. (Nasceu em 26/06/1925, em Jaú, São Paulo, Brasil, e faleceu em 14/07/1988, em Jaú, com 63 anos, e foi sepultada em Guaiçara, São Paulo, Brasil). Foi ex-vereadora em Lins no período de 01/01/1948 a 31/12/1951.

Anna Carlota Arruda de Paula com antúrios, - vulgo “Dona Nenzica”.

(Retrato de Meio Corpo. Óleo sobre tela)

Quadro com as seguintes medidas:

Moldura: 0,86 cm de comprimento por 107,06 cm de largura; (mal conservada)

Paspatur: 3,0 cm de largura

0,66 cm de comprimento por 0,89 cm de largura;

Tela: 0,60 cm de comprimento por 0,81 cm de largura;

Data – 1963, e sem o vidro antirreflexivo.

O prefeito de época era Gilberto Geraldo Siqueira Lopes, gestão de 1960 a 1963.

"Corpo de Lourdes Abdo de Siqueira Lopes ", 1ª Dama do Município; óleo sobre tela de 1967. Medidas: 0,71 cm X 1,00 cm. Com moldura 0,84 x 1,12 cm. O prefeito de época era Gilberto Geraldo Siqueira Lopes, gestão de 1960 a 1963.

Nas pinturas até 1969, o sobrenome de Teisuke foram subscrevidas com um S - KUMASAKA. A partir de 1970, Teisuke acrescentou por iniciativa própria, mais uma letra S no sobrenome KUMASSAKA, devido à dificuldade de enuncia escrita e verbal, visto que os linenses (muitos eram imigrantes na época), faziam confusão de expressão com a letra Z (Kumazaka). Nota-se a assinatura alterada nas telas de quatro autorretratos de Teisuke: 1970, 1974, 1977 e 1978.

A pintura que Teisuke mais apreciou foi a tela de Dona Nelzi Locci Junqueira, em meio a toda produção executada. Conforme entrevista a Ricardo Sérgio Assef Jorge, no Jornal A Gazeta de Lins, de 7 de dezembro de 1974.

Teisuke não foi professor de Manabu Mabe (1924 – 1997), que era autodidata, mas dos pintores Yugi Tamaki (1916 – 1979) e Tikashi Fukushima (1920 – 2001), pintor e gravador, desenhista e professor nipo-brasileiro. Manabu, Teisuke e Tikashi frequentaram muito a casa do Dr. Motomu Konda, médico sanitarista e incentivador das artes em Lins.

Teisuke foi professor de Joanita Cavalcanti Pinto durante dezoito anos, em Lins.

Naquela época, o Brasil ingressou na segunda Guerra Mundial, junto aos países aliados, e a colônia japonesa no país foi cerceada, mas Teisuke Kumasaka constituiu família em Lins, e com todas as atribulações, conseguiu levar adiante a sua vida profissional de pintor e fotógrafo.

Kumasaka trabalhou como fotógrafo profissional durante 40 anos, de 1930 até 1970, quando se aposentou. Morava à Rua Osvaldo Cruz, 435, centro, em Lins.

Nas horas de lazer, Teisuke junto com os amigos: Pedro Teixeira de Carvalho, José Sanseverino, Zuca Alfaiate, Luiz Felício Foggetti e Francisco Pinheiro da Silva jogavam truco na residência do Sr. Eugênio Thomazi.

Em 16 de setembro de 1971, a esposa Yasuko Sadako Kumasaka faleceu em Lins, com 62 anos. Na época o velório foi na residência.

Teisuke produziu 29 retratos de ex-presidentes da Câmara Municipal de Lins. Foram 24 retratos produzidos em 1973, uma obra a cada quinze dias ou dois retratos por mês. Todos foram ilustrados a lápis, com grafite para desenho.

José Antunes da Silveira, João Pinto Ramalho, José Correa Mello, Methódio Luiz Alves de Moura, João Pedro de Carvalho Junior, Pedro Ferreira, Gastão Carlos de Faria, Manoel Ferreira Martins, Hélio Rubens Junqueira Caldas, Antonio Cantizani, Paulo Lusvarghi, Absalão Magalhães Silva, Nestor de Cunto, Joaquim F. C. Diniz Junqueira, Alcides Ramos Antunes, Miguel Antônio Zarvos, José Ariano Junior, Cidene Silveira, Vicente de Paula Prata, Agostinho Perazza, Gerson Pinheiro Machado, Sundar Melo Abreu, Kitisi Iamauti, Israel Antonio Alfonso. Após, pintou mais cinco obras, sendo uma obra por ano: 1977 - Alcides Ferrari, 1979 - Alício Mendes. Bonifácio Urel, (Nota-se que o retrato de Bonifácio está sem assinatura e data, (possivelmente de 1981/83), mas apresenta características artísticas de Teisuke Kumasaka), 1985 - Olavo Bergamachi Barros - 1987 - Maruf Ali Murad. Grifo do organizador.

Teisuke apreciava as obras de Oswaldo Teixeira do Amaral (1905 - 1974). Crítico, historiador de arte, pintor e professor. Era brasileiro e artista plástico moderno, com estilo clássico.

Referente aos artistas plásticos de outros países, Teisuke admirava as obras do italiano Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (1475 – 1564), e o holandês Vincent Willem van Gogh (1853 – 1890). Em entrevista ao Jornal A Gazeta de Lins, em 7 de dezembro de 1974, Teisuke disse a seguinte frase: .... Deles, o menor traço tem vida e arte.

Continuando a entrevista, Teisuke afirmava que para criar arte: [...] A inspiração vem, sem hora marcada, e eu me esqueço de comer, de dormir, etc. É como uma febre que nos isola do mundo exterior.

Os próximos parágrafos, na mesma entrevista, Teisuke apreciava muito as músicas clássicas. Gostava das canções populares antigas, e do interprete Silvio Caldas, com a melodia Casinha Pequenina.

Não tinha interesse por política articulando que: Falar bonito e não realizar, de nada adianta. Gosto mais de realização, e sempre me lembro das palavras de um amigo – Clement Evans Hubbard: “devemos sempre falar com o coração”.

Teisuke leu e gostou das obras de Jorge Amado, e reservava uma hora por dia para ler o jornal.

 

Reportagem de TEISUKE KUMASAKA – Orgulho artístico de Lins

 

Nascido no Japão, ainda jovem, veio ao Brasil, e em suas andanças por capitais e interior chegou a esta cidade e aqui radicou-se. Cuida presentemente de sua naturalização o que aguarda com ansiedade pois tem o Brasil como sua pátria, com 74 anos, tem quatro filhos: Ruy, Paulo, Guiomar e Massanori. Tem no tênis que joga com regularidade espantosa, seus momentos de esporte.

Fotógrafo por muito tempo, o rotariano T. Kumassaka sempre se dedicou à pintura. Primeiramente o mestre linense dedicou-se a pintura de retratos o que faz com precisão, obras estas sobejamente conhecidas e admiradas. Pinta também estudos, paisagem, aquarelas, crayons, vasos de flores, e na pintura moderna tem seu sucesso garantido com abstratos. Morando há tempos no interior. Pinta o que vê e por isso são raros as marinhas. Dedicando-se há poucos anos na confecção de esculturas, já tem sua marca nesse tipo de arte também, e é claro que com absoluto sucesso. Sua modéstia nata faz de Kumassaka um gigante quando admiramos suas obras.

Diário de São Paulo – Suplemento Especial Lins. 20 de abril de 1975.

 

Depoimento de Teisuke Kumasaka em maio de 1986.

 

“Quando cheguei a Lins aprendi a fazer fotografia com um amigo. Aí, em 1930, abri negócio de fotografia fundamentalmente pelo gosto, identificação artística e também pelo interesse financeiro na época. Nas horas de folga, saía com um grupo de amigos para pintar, mas a profissionalização só aconteceu quando recebi a primeira encomenda de um retrato a óleo a partir de uma fotografia; desde então, não parei mais de pintar. Viajo muito, Cabo Frio, Recife, e muitas vezes uso a fotografia quando não posso carregar o material, porque para mim, tanto faz pintar da fotografia ou do natural.

Gosto muito de dar aula, mas só para quem quer estudar, porque hoje os alunos não têm força de vontade, já querem logo expor e não é fácil ser artista. Tem de conhecer tudo, desenho, anatomia, composição, mesmo quem pinta abstrato, que é quase só cores, precisa saber desenhar.

Já pintei abstrato, mas não é do meu gosto, prefiro mesmo o acadêmico e faço muitos retratos.”

Fonte:

https://www.guiadasartes.com.br/teisuke-kumassaka/obras-e-biografia

 

 

Conforme Guiomar Hiroko Fukusen - (filha de Teisuke Kumasaka), em 1962, Teisuke comprou o forno de queima, para cerâmicas e porcelanas. Pintou os seguintes painéis em azulejos, cerâmica, pastilhas, paredes e telas:

Casa do Médico de Lins. Primeiro painel em pintura de cerâmica marrom. O Tema: Médicos Analisando o Esqueleto Humano, em 20 de dezembro de 1962. O Painel tem as seguintes medidas:

Área total medindo 9,18 cm por 1,96 cm = 17,99 cm; Área de pintura medindo 2,96 cm por 1,96 cm = 5,80 cm; Medida de cada cerâmica: 11,8 cm por 24,5 cm = 28,91 cm². Teisuke apresentou técnica própria com os preparos das tintas e a conservação com o mural, assim ficou preservado, sem avarias e intacto durante sessenta (60) anos, sofrendo apenas a ação do tempo, que deixou o painel vulnerável por qualquer fulcro. Agredido em 2023.

Igreja Nossa Senhora de Lourdes, no Bairro Rebouças, em Lins. Tema: Aparição de Nossa Senhora de Lourdes na Gruta, criado em 1963. Pintura frontal externa em azulejos brancos 0,10 por 0,10 centímetros. Medidas: 3,96 cm por 3,06 cm. Total = 12,11 cm, com a largura de faixa de 5,00 cm em cerâmica na parte superior do painel. Assinatura de Teisuke do lado esquerdo, na segunda fileira da parte inferior, no terceiro e no quarto azulejo. (Painel comprometido por falta de conservação). Aspecto de banner.

Clube Linense - Tema: As Bailarinas. São dois painéis com medidas de 3,88 cm x 2,50 cm, com as laterais sinuosas assimétricas, foram fixados permanentemente, dos lados da direita e esquerda do palco do salão social, no piso superior, e foram produzidas em 1964. Na época, foram ofertados por Teisuke que era sócio do clube.

Em 2012, houve a proposta do tombamento histórico dos painéis As Bailarinas de Teisuke, do Clube Linense. O processo de tombamento foi interrompido (não paralisado), a pedido da Diretoria de época, aguardando os novos rumos do clube a serem dados. O ato ocorreu em 2022.

A reforma do clube aconteceu em 2016 e 2017. A sede social do Clube Linense foi reinaugurada em 2017.

Em 1955, foi aprovado pelos associados que compunham a diretoria do Clube Linense a reforma na sede esportiva da associação, com a construção de piscina infantil, o afresco em alvenaria, que anos depois (1960?), foi pintado por Teisuke um tema infantil), aumento dos vestiários e parque para as crianças. Contudo, uma remodelação total na sede esportiva foi realizada em 1968, na gestão de Pascoal Angotti, ginecologista, obstetra e oncologista, em 1968 e 1969, cuja inauguração se deu no dia 14 de abril de 1969. Na ocasião, foi destruído o painel de parede, pintado por Teisuke Kumasaka, que ficava fronte a piscina infantil. O tema era: “A Lenda de Urashima Taro”, do folclore japonês.

Segundo a lenda, “Um jovem pescador, Urashima Taro, certo dia salva um filhote de tartaruga das mãos de umas crianças malvadas e devolve-o ao mar. Dias depois, enquanto pescava, uma tartaruga enorme surge no meio das ondas. Agradece-lhe por ter salvado seu filhote e o convida, em agradecimento, para conhecer o Paraíso do fundo do mar. E assim, na carapaça da tartaruga, Urashima Taro iniciou sua incrível viagem! Os contos tradicionais representam uma grande fonte de riqueza. É uma forma eficaz de a criança começar a compreender um pouco sobre a natureza humana.

Fonte:https://globaleditora.com.br/wp content/uploads/2017/01/Urashima-Taro-011.pdf

 

Painel em pastilhas, (Dom Bosco, garoto, ensinando as crianças no campo). Acima do painel há imagem de Dom Bosco - adulto, em 26 de agosto de 1967, possivelmente, foi a pedido das salesianas, as irmãs Filhas de Maria Auxiliadora para Teisuke Kumasaka. O painel medindo: 2,62 cm por 1,72 cm, executado na parede de varanda da Prefeitura Municipal de Lins, (na época, era a Faculdade Auxilium de Filosofia, Ciências e Letras - FAL).

Há do lado inferior direito do painel o seguinte texto:

Apostolo desde a infância.

Aos domingos Joãozinho Bosco reunia os meninos, entretinha-os com lindas histórias e lhes repetia o sermão ouvido na Missa -”.

O painel é único no mundo e com ilusão de ótica. Ao fundo, há imagens da Igreja de Nossa Senhora de Fátima (esquerda), do Clube Linense (centro), e do Edifício Coronel João Pedro de Carvalho Junior (direita). A pintura é exclusiva no mundo e no imóvel (mal conservada). A faculdade foi núcleo de formação aos docentes, que estavam sedentos e em busca de conhecimentos.

Na entrada do prédio da antiga Faculdade de Serviço Social, sita a Rua Dom Lúcio, nº165, Vila Alta, em Lins, havia a pintura em azulejos brancos, com medidas de 0,15cm x 0,15cm. Tema: Imagem de Nossa Senhora das Dores observando as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, ensinando as mulheres. Produção de 1957. Para pintar o rosto da imagem, Teisuke se inspirou em Dona Nely Ratto Gelis, que foi referência de galhardia e beleza dos anos dourados, na década de 1950, em Lins. Na época, o Governo Federal era de Juscelino Kubitschek (1956-1961). Ao lado, o logotipo da faculdade e, possivelmente, Teisuke também pintou o logotipo com a figura humana no centro, e ao lado a frase em latim: “Non ministrapi sed ministrade”. Tradução: Não para ser servido, mas para servir. Abaixo a frase: Construímos para a Prosperidade. A frase significa o Assistente Social realizado, entusiasmado, estimulado pela vida, com contínua sensação de contentamento, estabilidade emocional e rodeado pelos familiares, amigos e passoas amorosas, apoiando seus ideais assistencialistas e humanitários.

O painel foi destruído em março de 2010. Segundo a reportagem de época do jornal Debate, Edição nº1565, de 11 de abril de 2010; “[...] ao invés de retirar os azulejos e instalar a pintura em outro local, os proprietários optaram por quebrar parte da parede a marretadas e, para encobrir o que sobrou, aplicar uma tinta verde. O resultado é, no lugar do painel, uma parede de alvenaria recoberta por tinta, tendo ao centro uma janela de alumínio.”

 

 

IRONIA

 

Teisuke Kumasaka havia estudado pintura no Japão, antes de emigrar para Lins, interior do Estado de São Paulo, onde exercia a profissão de fotógrafo.

Lá, em 1945, conhece Manabu Mabe, também imigrante, que trabalhava nos cafezais da cidade e sente que o rapaz está desesperado para saber tudo sobre arte. Por esta razão, Teisuke transmite ao camponês, tudo o que sabia sobre tintas e pincéis.

"Tão bom ou melhor do que Mabe", segundo o cronista Mário Prata, um dia – o aluno já famoso – Kumassaka sai de Lins e vai mostrar seus quadros em São Paulo. A crítica foi cruel:
— Parece muito com o Mabe – avaliaram.
Introvertido e reservado, até por uma característica da raça, Kumassaka volta para Lins e segue a vida fazendo fotos três por quatro.

(Fonte: www. juliolouzada.com.br/ind_ironia.asp)

 

Teisuke Kumassaka foi escultor dos seguintes BUSTOS, MEDALHA E ESTÁTUA EM BRONZE:

Busto de Clement Evans Hubbard, produzido em 1970, com as seguintes medidas: 0,29 cm de comprimento por 0,23 cm de largura e 0,57 cm de altura. Assinatura com um S;

Busto de Manuel Joaquim de Albuquerque Lins, fundador de Lins, produzido em 1970, com as seguintes medidas: 23,7 cm de comprimento por 18,2 cm de largura e 55 cm de altura. Assinatura com um S;

Busto de Monsenhor Luiz Gonzaga Pasetto, produzido por Teisuke em 26/08/1982. Possui as seguintes medidas: 31,5 cm de comprimento por 24 cm de largura e 58 cm de altura. Assinatura com dois SS;

Segundo a pesquisa e a informação do acadêmico e historiador e organizador do Memorial, Adilson Carlos Furlan Silvestrim, Titular da cadeira 40, cujo Patrono é Fernando Pessoa, o busto em bronze produzido por Teisuke em 1970, de Motomu Konda, médico sanitarista que prestou serviços de grande relevância para Lins e ao Brasil, foi roubado do túmulo por meliantes em 2022, do Cemitério da Saudade em Lins;

Busto do Brigadeiro Antônio de Sampaio (1810 - 1866), infante-símbolo e Patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro, que tem as seguintes medidas: 24,5 cm de comprimento, 22 cm de largura e 56,5 cm de altura, produzido em 1970. Assinatura com um S;

O busto do governador paulista Roberto Costa de Abreu Sodré (1917 – 1999). Foi o 47º governador do estado no período de 1967 a 1971. O busto tem as medidas: 24,5 de comprimento por 17,5 de largura e 51 cm de altura. Produzido em 1970. Assinatura com um S;

Estátua em homenagem ao Trabalhador na cidade de Garça, interior do Estado de São Paulo;

Medalhão com a efígie de Albertina Barrone Natel, com as medidas: 0,45 cm de diâmetro, 0,5cm de espessura de base e 6,0 cm de espessura em alto relevo, produção de 1972.

Fonte: https://www.guiadasartes.com.br/teisuke-kumassaka/obras-e-biografia

 

PARTICIPAÇÕES DE TEISUKE KUMASAKA EM EXPOSIÇÕES DE ARTE E CONQUISTAS DE PRÊMIOS.

 

Teisuke Kumasaka foi desenhista e pintor, onde se apresentou na exposição no Salão Paulista de Belas Artes, em 1944 e 1946, em São Paulo;

Em São Paulo, Teisuke Kumasaka apresentou suas obras artísticas no Salão Paulista de Arte Moderna, em 1962;

Aula de Pintura Infantil, ocorrido na Praça Coronel Piza, participação em 1968, em Lins;
Teisuke recebeu o Diploma de Honra ao Mérito Educacional do Jornal Folha de São Paulo, como incentivador de arte plástica.

No V Salão de Arte Moderna de Itapetininga, Teisuke Kumasaka recebeu a Medalha de Honra ao Mérito, São Paulo, em 1969;

Em 1969, em São Paulo, houveram as exposições de Teisuke Kumasaka, na Mini Galeria do Consulado Americano de São Paulo e no Salão Paulista de Belas Arte. O Mister Alan Ficher, Cônsul Americano apoiou plenamente com a organização. Disse Teisuke sobre Alan Ficher, em entrevista ao Jornal A Gazeta de Lins, em 7 de dezembro de 1974, que: [...]. “Ao termino, presenteou-me com a gravata usada na ocasião e disse a todos os que ali estavam que, naquele lugar nunca fora realizada uma exposição tão brilhante anteriormente, fosse pelo número de visitas ou de quadros vendidos”.

No Salão Paulista de Belas Artes, Teisuke recebeu “Menção Honrosa” em 1970, em São Paulo;

Foi homenageado pela Câmara Municipal de Lins, com o Diploma – Cidadão Honorário de Lins, em 1971;

Recebeu em 1973, o Troféu de Honra ao Mérito, na Exposição Rotary Club, na cidade do Rio de Janeiro; Participou da exposição de artes plásticas no Salão Paulista de Belas Artes, em São Paulo.

Teisuke Kumasaka recebeu a Medalha de Bronze, no XXIX Salão Paulista de Belas Artes, em 29 de novembro de 1974, em São Paulo, referente ao quadro "Beco do 14 Bis", óleo sobre tela de 1967, inscrito sob o nº. 235. Medidas: 0,75 cm X 0,55 cm. Na época, concorreram 264 expositores, com centenas de obras. Pintura doada (data ignorada) pelo próprio artista à Casa de Cultura de Lins.

No interior paulista, em Penápolis, no dia 3 de maio de 1975, ocorreu o 1º Salão de Artes Plástica da Noroeste, promovida pela Fundação Educacional de Penápolis – FUNDEPE, exposição coletiva com 20 participantes, entre os quais a artista Teisuke Kumasaka e Tomie Ohtake.

Em Penápolis, do dia 22 a 29 de maio de 1976, ocorreu o 2º Salão de Artes Plástica da Noroeste, promovida pela Fundação Educacional de Penápolis – FUNDEPE, exposição coletiva com 43 participantes, entre os quais estavam os artistas: Burle Max, Carlos Scliar, Darcy Penteado Marysia Portinari Teisuke Kumasaka e Tomie Ohtake, Walter Lewy entre outros.

Participou de exposições de arte no Salão Paulista de Belas Artes, em 1977 e 1978, em São Paulo, Capital;

Em 1978, foi homenageado em Lins, referente a Aquarela “Ato da Instalação da Comarca de Lins”, em 28 de abril de 1928, pelo Poder Judiciário de Lins;

Foi premiado com o Medalhão de Bronze, no Salão da Bienal de Penápolis, em 1978;

Em 1979, em Piracicaba, Teisuke participou do 27º Salão de Belas Artes, com mais de 150 concorrentes.

Em 1980, foi premiado com a Medalha de Prata, no Salão Paulista de Belas Artes, em São Paulo;

Em Penápolis, de 11 a 18 de outubro de 1980, Teisuke Kumasaka participou do 4º Salão de Artes Plástica da Noroeste, promovida pela Fundação Educacional de Penápolis – FUNDEPE, exposição coletiva com mais de 130 participantes;

Foi promovida pela Galeria Prestes Maia, em São Paulo, o 44º Salão Paulista de Belas Artes, ocorrido de 06 a 30 de novembro de 1980, com a exposição coletiva de dezenas de artistas plásticos, além de premiações.

Exposição de Teisuke Kumasaka, no Salão Paulista de Belas Artes, em 1981, em São Paulo;

No Salão Paulista de Belas Artes, houve a exposição do Retrato do Governador Ademar de Barros e sua esposa Dona Leonor, em 1982, em São Paulo;

Em Penápolis, ocorreu a exposição coletiva de artes plástica, no 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, no período de 09 a 17 de outubro de 1982. Teisuke recebeu a Medalha de Bronze;

A Exposição de Retrato do Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco (1897 – 1967), no Palácio da Alvorada, em Brasília, Distrito Federal;

Premiado no Salão Acadêmico de Belas Artes com a Medalha de Bronze, Campinas, São Paulo, em 1984;

No XV Salão Ararense de Artes Plásticas, Teissuke Kumasaka recebeu dois prêmios: medalha de Bronze e Menção Honrosa, no município de Araras, em 1984;

No Salão Acadêmico de Belas Artes, Teisuke Kumasaka foi premiado com a Medalha de Prata, Campinas, em 1986.

No hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, Teisuke Kumasaka faleceu com 86 anos, em 20 de dezembro de 1987, e foi sepultado na necrópole de Congonhas, em São Paulo. A causa da morte foi a falência múltipla dos órgãos, câncer gástrico, insuficiência cardíaca e arritmia cardíaca.

Naquela época, o Promotor de Justiça Estadual Paulo Sérgio Galvão Nogueira proferiu: “Kumassaka praticou a arte pela arte, despreocupado com seus resultados financeiros e opondo-se à sua mercantilização excessiva”.

Após a morte de Teisuke Kumasaka, os linenses homenagearam, denominando o seu nome em vários locais:

No dia 11 de abril de 1988, foi denominado a “Casa do Artesão Teisuke Kumasaka”, decretado pela Câmara Municipal de Lins, pelo Doutor Orrélio Justiniano Rocha, Presidente, em Lins, Estado de São Paulo. A Lei nº2.666, que foi sancionada no dia 19 de abril de 1988, pelo Prefeito Luiz Antonio Melges Tinós (Gestão - 1983 a 1988), e publicada no Jornal “Correio de Lins”, em 22 de abril de 1988.

No dia 02 de maio de 1989, foi denominado a Rua Teisuke Kumasaka, no loteamento Jardim Morumbi, decretado pela Câmara Municipal de Lins a Lei nº2.817, pelo Doutor Orrélio Justiniano Rocha, Presidente, em Lins, Estado de São Paulo. Na época, a lei foi sancionada no dia 05 de maio de 1989, pelo Vice-Prefeito José Herrera (Gestão: 1989 a 1992), e a publicação foi no “Diário da Cidade”, em 16 de maio de 1989.

Quase cinco anos depois, no dia 19 de janeiro de 1995, foi apresentado o Projeto de Lei 13/95, por Alicio Mendes, vereador naquela época, denominando o Conjunto Habitacional Teisuke Kumasaka, uma gleba urbanizável, e aprovado pela Câmara Municipal de Lins, e promulgada pelo Prefeito Roberto Pires da Silva (Gestão de 1993 a 1996), em Lins, Estado de São Paulo. A Lei nº3.677, foi sancionada no dia 13 de março de 1995, e a publicação foi no “Diário da Cidade”, na mesma data.

Com mais de uma década depois, A prefeitura realizou a exposição individual de Teisuke Kumasaka, na Biblioteca Municipal de Lins, em 2008.

Em 2010, o desenhista, artista plástico de paisagens e figuras humanas, escultor e fotógrafo, Teisuke Kumasaka recebeu homenagem pela Academia Linense de Letras, em Lins, do qual é Patrono da Cadeira nº11, e a membro Fundadora: Hiroko Egashira Matsuda, sucedida por Cauê Garcia Soares em 18/08/2012, que renunciou em 09/06/2022. Sucedido em 29/09/2023 por Juliza dos Anjos Salvador Bragato.

Em 2023 foi pedido o tombamento de todas as obras públicas de Teisuke a Secretaria de Cultura e Turismo de Lins.

 

Texto produzido pelo acadêmico Adilson Carlos Furlan Silvestrim, ocupante da cadeira nº40, da Academia Linense de Letras, tendo por patrono Fernando Antonio Nogueira Pessoa, o apoio de Edson Kumasaka (sobrinho de Teisuke), Guiomar Kumasaka (filha) entre outras fontes, que foram baseadas em reportagens de jornais e entrevista de época.