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Cadeira nº37 - A Arquitetura da Memória: Alvenaria, Farda e a Batuta Imortal

Escrito por: Adilson Carlos Furlan Silvestrim
Publicado: 25 de setembro de 2026

O Edifício da Imortalidade da Academia Linense de Letras encontra na Cadeira nº 37 um de seus pilares mais profundos, onde a história deixa de ser um mero depósito de datas para se converter em um manifesto vivo de justiça e estética, e celebrando-a como o santuário onde a justiça histórica e a herança filarmônica se fundem em imortalidade. A união entre o Patrono Vicente Rio Branco Paranhos (1874–1944) e o Membro Fundador José Roberto Franco da Rocha (1943) transcende a formalidade acadêmica; ela representa o ponto de maior relevância historiográfica e resgate patrimonial do Noroeste Paulista. Trata-se da "Simbiose Documental Perfeita": o maestro negro e pioneiro que ergueu a trilha sonora de Lins no mundo físico encontra, décadas depois, o pesquisador com o rigor da farda militar e a sensibilidade do artista, para arrancar seu nome do esquecimento e transmutá-lo em lei. Esta fusão de trajetórias evoca o compositor e pensador alemão Richard Wagner (1813–1883) amoldam-se com precisão absoluta. "A música é a linguagem que começa onde terminam as palavras, a força viva capaz de organizar o espírito coletivo e traduzir a essência de uma comunidade". Em Lins, essa ordem fez-se compasso, e a beleza fez-se cidadania.

A dimensão artística de Vicente Rio Branco Paranhos é a crônica de um gênio que desafiou o determinismo de sua época. Filho de escravos libertos e nascido no dia da Independência do Brasil, Vicente foi um polímata popular: dominava a dureza prática da alvenaria (pedreiro) e a leveza erudita do contraponto, da harmonia e da orquestração. Sua chegada ao antigo distrito de Albuquerque Lins culminou em um parto gêmeo e siamês no dia 21 de abril de 1920: nasciam, simultaneamente, o município de Lins e a sua Banda Municipal, sob a regência de sua histórica batuta. O mestre que construía casas com as mãos era o mesmo que desenhava no pentagrama arranjos de extrema delicadeza, para executar hinos complexos como o Kimigayo imperial japonês ou a revolucionária La Marseillaise [ROCHA, 2000]. Ele aplicava na prática o que o pensador e jurista pátrio Rui Barbosa de Oliveira (1849–1923) defendia: "A pátria não é ninguém: são todos; e a arte é o teto espiritual que abriga a todos sob a mesma igualdade". Vicente respondeu às segregações e aos preconceitos de seu tempo com a elegância de seus dobrados e com a nobreza de sua alma filantrópica, oferecendo abrigo e aulas gratuitas à infância desprovida no Bairro do Ribeiro.

A posteridade, contudo, foi marcada por um longo período de amnésia. Durante (56) cinquenta e seis anos, o nome do primeiro maestro negro de Lins foi negligenciado pelo poder público, até que a escrita rigorosa do Tenente-Coronel José Roberto Franco da Rocha operasse o milagre do resgate documental através de sua obra essencial A Banda Linense: 80 anos [ROCHA, 2000]. O fundador não apenas escreveu a crônica do patrono; ele compôs o dobrado Maestro Vicente Rio Branco Paranhos, convertendo a história em melodia viva. Uniu a disciplina da caserna, forjada na Academia do Barro Branco, à precisão da pesquisa histórica. Esse combate contra a amnésia social confirma a célebre máxima de Cícero: "A história é a testemunha dos séculos, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida e a mensageira do passado."

A atuação como regente e compositor de José Roberto não foi apenas um exercício lírico, mas um ato de Segurança Jurídica Cultural: organizou e registrou os Estatutos Sociais das bandas de Lins e Guaiçara, adequando-as ao Código Civil, e elaborou o novo arranjo para o Hino a Lins, imortalizado pela Lei Municipal nº 3.838 de 21 de março de 1996. A ação de José Roberto encontra eco no pensamento do mestre do Direito Moderno, Hans Kelsen (1881–1973), para quem a norma jurídica deve servir como o espelho da paz e da ordem social; na Cadeira nº37, a lei curvou-se à harmonia musical.

O encontro dessas duas biografias confere ao Memorial da ALL o status de um Supremo Tribunal da Memória Regional. O fundador não se limitou a biografar o patrono; ele transmutou a história em melodia viva ao compor o dobrado marcial Maestro Vicente Rio Branco Paranhos.

José Roberto compreendeu que a memória é uma trincheira de defesa da dignidade humana. Mesmo com todo esforço sobre a memória de Vicente e outros publicada em 2000, o poder público tornou indiferente e perdido por mais 22 anos o resgate biográfico do Maestro Vicente em Lins.

O ato de arrancar o mestre negro da poeira do esquecimento e inseri-lo de forma indelével na malha urbana setenta e oito anos depois de sua morte — condecorado postumamente por meio da Lei Municipal nº 7.455 de 16 de dezembro de 2022 — de iniciativa legislativa e chancelada pelo trabalho de Adilson Carlos Furlan Silvestrim — cumpre a premissa fundamental de Charles-Louis de Secondat (1689–1755), o Barão Montesquieu: "A história não se faz pelo mero acaso, mas pela inteligência que conecta as leis do passado ao espírito do presente; para conhecer o homem, é preciso iluminar a sua própria trajetória".

Na Cadeira nº37, as leis municipais e o arquivo acadêmico tornaram-se os instrumentos dessa inteligência, garantindo que o passado de Lins não seja uma sombra que se esconde, mas uma alvorada cívica de justiça e erudição que desperta a cidade. A ALL exerce o seu papel nobre de resgatar as pedras fundamentais da cultura paulista.

A importância artística da dupla reside na validação da premissa de que a educação e a arte são os únicos vetores capazes de promover a verdadeira emancipação social. Vicente utilizou os metais da banda para dar sustento e honra às famílias humildes de Lins; José Roberto utilizou a caneta e o arquivo para salvaguardar esse patrimônio imaterial para as futuras dinastias acadêmicas. Ambos demonstram que em Lins, a arte não aceita o desleixo; ela exige a disciplina do caráter. Esta fusão evoca o pensamento do filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844–1900): "A música é o esforço do homem para transformar o caos da vida em uma arquitetura de ordem e beleza."

Eles aplicaram, em épocas distintas, o preceito do educador Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997): "A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo". Na Atenas da Região do Noroeste Paulista, as pessoas mudadas pelo som do Conservatório e pelas retretas da Praça Joaquim Piza ajudaram a edificar uma civilização baseada no saber e no respeito mútuo.

Essa obra de edificação humana ganha contornos ainda mais profundos, quando contrastada com a dinâmica social proposta pelo historiador econômico Carlo M. Cipolla (1922–2000), em seu tratado sobre as Leis Fundamentais da Estupidez Humana. Cipolla alertava que a estupidez opera como uma força entrópica, um buraco negro que destrói a riqueza material, a paz civil e o progresso das nações ao causar prejuízos ao próximo e ao próprio agente, sem gerar qualquer ganho. Contra esse vetor de destruição pura, que se prolifera no vazio da linguagem e na apatia mental, a atuação da ALL impõe a sua força contracíclica. A educação artística promovida por Vicente e salvaguardada por José Roberto funciona como o antídoto definitivo para essa patologia social. Ela substitui o ruído destrutivo do absurdo pela precisão matemática do compasso e pela clareza da palavra empenhada, blindando a comunidade contra a decadência cultural.

Encerrar a análise lírica de Vicente testemunha o cumprimento da profecia de Antônio Frederico de Castro Alves (1847–1871), o Poeta dos Escravos, que em sua altivez romântica bradava aos céus versos que parecem ter sido escritos sob medida para a vitória de Vicente: "Ontem a horda rugia... hoje o herói canta! / Ontem o ferro de escravo... hoje o louro de glória! / Deus é grande! a justiça caminha / Pelo sulco que abre a vitória!". O ferro do cativeiro e a lama do esquecimento foram definitivamente vencidos pelo bronze das leis e pelo ouro das partituras guardadas neste sodalício.

A Academia Linense de Letras resguarda na Cadeira nº37 a prova inabalável de que a literatura, a música e a jurisprudência são forças indissociáveis na construção de uma nação livre. O resgate monumental destas biografias, capitaneado pela pesquisa de Silvestrim e pela herança literária de Franco da Rocha, sob as luzes da veridicidade histórica, assegura que a batuta e a pena permaneçam eternamente unidas em legítima, soberana e imortal harmonia nas páginas da história de Lins. Que os futuros ocupantes desta cátedra olhem para o frontispício com a Lira Romana desenhada por Vicente e saibam que herdam um legado moldado pela coragem, pela ciência documental e pela paixão indomável pelo progresso humano. Dado e encerrado sob as luzes da verdade histórica, onde a batuta e a pena permanecem eternamente unidas em legítima e soberana harmonia.

Adilson Carlos Furlan Silvestrim,

Cadeira nº40, cujo Patrono é Fernando Pessoa

Academia Linense de Letras - 13/05/2026

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Da Corrente à Batuta: A Odisseia Cívica de Vicente Rio Branco Paranhos

Escrito por: Adilson Carlos Furlan Silvestrim
Publicado: 25 de setembro de 2026

vicente rio branco 6b1997df73e9cb05Fonte: Arquivo de José Roberto Franco da Rocha Photoshop e Restauração: Paulo Sérgio Lousano - 2020

O tecido da história brasileira é bordado com os fios da dor, mas também com os da mais sublime superação. No coração da Cadeira nº 37 da Academia Linense de Letras, a memória de Vicente Rio Branco Paranhos (1874–1944), ergue-se como um farol de dignidade humana e rigor estético ocorrido em Lins.

Vicente Rio Branco Paranhos nasceu em São Luís do Paraitinga, SP, no dia 7 de setembro de 1874. Era filho da escrava Fausta. Foi beneficiado pela Lei do Ventre Livre nº 2.040, e foi promulgada e publicada em 28 de setembro de 1871. Assinada pela Princesa Isabel, a norma decretou a liberdade para filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data, marcando um avanço gradual no processo abolicionista brasileiro. Principais Pontos de Alcance da Lei: Considerava livres os filhos de mulher escrava nascidos a partir da data, e os filhos libertos ficavam sob a tutela dos proprietários até os 8 anos ou podiam ser entregues ao Estado. A lei também ficou conhecida como Lei Rio Branco, por ter sido proposta pelo Visconde do Rio Branco, um reconhecimento político e social por ele ter liderado o gabinete ministerial na época.

Vicente cresceu à sombra da expansão cafeeira no Vale do Paraíba, testemunhando a agonia de um sistema que insistia em mercantilizar a carne humana, mas sua trajetória rompeu o determinismo do açoite.

A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, pela Princesa Isabel, não foi apenas um ato jurídico de abolição formal; foi o romper de diques que permitiu a homens como Vicente demonstrar que a aristocracia do talento independe da cor da pele. O fim da escravidão no Brasil abriu clareiras para que o gênio criador do negro ocupasse os espaços públicos da República que nascia. Vicente, dotado de uma vivacidade e inteligência precoces, fez das primeiras letras e do aprendizado musical o seu passaporte para a liberdade real. O jovem que aprendeu a domar a técnica dos sopros e das cordas nos rincões de São Luís do Paraitinga compreendeu, desde cedo, o que o abolicionista Joaquim Nabuco profetizara: "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil. É preciso educar para emancipar".

No som e na matéria, Vicente educou-se. Polímata por natureza, dominou a precisão da alvenaria e a erudição do contraponto. Diante do declínio do Vale do Paraíba, retratado com amargura nas Cidades Mortas de Monteiro Lobato, o maestro seguiu a rota do progresso em direção ao Oeste Paulista. Sua chegada a Lins em 1919 coincidiu com a própria aurora do município; o santuário onde a história do negro liberto encontra a certidão de nascimento de uma cidade, que se desenhava na Noroeste Paulista e precisava de infraestrutura, mas necessitava, acima de tudo, de uma alma. E a alma de Lins foi esculpida pelo sopro dos metais de Vicente Rio Branco Paranhos. Excelente trompetista!

1920 marca o ano de nascimento de dois irmãos siameses: o município de Lins e a sua Banda Municipal. Convocado pelas lideranças políticas da época, que enxergaram no "negro determinado e polido" a envergadura necessária para capitanear a identidade cultural da terra prometida, Vicente assumiu o posto de fundador e primeiro maestro da corporação filarmônica. No dia 21 de abril de 1920, às 13 horas, enquanto os primeiros vereadores tomavam posse sob a gestão do Dr. Urbano Telles de Menezes, a batuta de Vicente cortava o ar em frente à Câmara Municipal. Naquele exato instante, o filho de escravos libertos tornava-se o maestro regente da civilização linense.

A importância de Vicente para Lins extrapola as fronteiras da musicologia; ela reside no campo da pedagogia social. O maestro que enfrentou o preconceito velado que segregava o seu reduto na Vila Ribeiro, rotulado pejorativamente como a "banda dos negros" em oposição à banda dos brancos da praça central, que respondeu com a mais pura elegância clássica. Ele não tolerava o desleixo técnico, exigia postura impecável de seus músicos e proibia o inflar de bochechas nos sopros, antecipando uma estética de conservatório no interior profundo do Estado. Mais do que isso, Vicente abriu as portas do porão de sua casa e de seu conhecimento para as crianças carentes, ensinando-lhes música gratuitamente, para que tivessem um ofício digno e pudessem sustentar suas famílias.

Ao traduzir a complexidade de hinos internacionais como La Marseillaise ou a delicadeza instrumental do Kimigayo japonês, Vicente inseriu Lins na rota do cosmopolitismo cultural. O homem que assentava os tijolos do progresso urbano durante o dia era o mesmo que, à noite, desenhava no pentagrama a trilha sonora do civismo local. Sua atuação foi eternizada na aquarela de Teisuke Kumasaka em 1928.

A Cadeira nº 37, inaugurada sob a lavra do historiador e músico José Roberto Franco da Rocha, celebra o triunfo definitivo da resiliência sobre a opressão. Vicente Rio Branco Paranhos habita o Edifício da Imortalidade da Academia Linense de Letras como a prova viva de que a batuta de um maestro negro foi forte o suficiente para reger a história, vencer as mordaças do passado e gravar o seu nome, com letras de ouro, na certidão de nascimento da Atenas da Região do Noroeste Paulista. Sua jornada evoca os versos imortais de Castro Alves, o Poeta dos Escravos, que no eco de sua Saudação a Palmares bradava:

"Ontem a horda rugia... hoje o herói canta! / Ontem o ferro de escravo... hoje o louro de glória! / Deus é grande! a justiça caminha / Pelo sulco que abre a vitória!"

No solo de Lins, o ferro do cativeiro que outrora marcou sua linhagem converteu-se de forma indelével no bronze dos monumentos e no ouro de sua herança artística. O clamor das correntes do passado emudeceu para dar lugar à sinfonia cívica que o mestre regeu em 21 de abril de 1920. O contraponto ao homem negro liberto que agora ascende como um herói vitorioso por meio da arte e da dignidade. Protegido contra o esquecimento pela Lei Municipal nº 7.455/2022, e imortalizado pelo resgate documental do acadêmico Adilson Carlos Furlan Silvestrim, Vicente não é apenas o primeiro maestro da Banda Linense; ele é o eterno sentinela da dignidade humana, cujo compasso continua a vibrar nas esferas mais puras da história da nossa terra.

Adilson Carlos Furlan Silvestrim,

Cadeira nº40, cujo Patrono é Fernando Pessoa

Academia Linense de Letras

11/05/2026

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O Elo entre o Mestre e o Discípulo

Escrito por: Adilson Carlos Furlan Silvestrim
Publicado: 25 de setembro de 2026

Para uma Academia de Letras, Adolfo de Vasconcelos Noronha (1888 – 1978) é o patrono ideal e exemplo de polimatia, por ter dominado diversas áreas (Direito, Sociologia, Poesia e Política), servindo de guia ético e intelectual para os ocupantes da cadeira.

A Cadeira nº 18 da ALL representa, em sua essência, a perpetuidade do saber e a nobreza da transmissão intelectual. A escolha de Adolfo de Vasconcelos Noronha como Patrono não é apenas um tributo à sua magnitude erudita, mas o reconhecimento de sua missão como O Arquiteto da Educação e do Civismo Guarulhense. Adolfo não apenas lecionou; foi o engenheiro de almas e o arquiteto que desenhou o horizonte educacional e ergueu as fundações do ensino superior e técnico de uma metrópole, transformando o cenário acadêmico paulista com as fundações das Faculdades de: Direito de Guarulhos e da Mozarteum. Sua atuação na primeira legislatura municipal e sua vasta produção bibliográfica — que transita da lírica premiada à densa crítica sociológica — conferem a esta Cadeira um pilar de integridade ética e polimatia.

A importância de Adolfo de Vasconcelos Noronha como patrono da Cadeira nº18 na Academia Linense de Letras reside:

  1. No elo sagrado entre o mestre e o discípulo na imortalização do ciclo de transmissão do saber. Ao ser escolhido por seu ex-aluno, o Membro Fundador Manuel da Costa Carregosa, Noronha personifica a figura do mestre que projeta sua luz para além das salas de aula, transcende o tempo, provando que a verdadeira educação é aquela que permite ao aluno voar — seja nas asas da aviação ou nas páginas da imortalidade.
  2. Na sua capacidade de unir o rigor do Direito à sensibilidade da Poesia, servindo de guia intelectual, para que os sucessores desta Cadeira mantenham vivo o compromisso com a verdade jornalística, o desenvolvimento da ciência e a difusão da cultura brasileira.

Sua trajetória como "Arquiteto da Educação" ofereceu as bases estruturais para o ensino superior, enquanto seu papel como "Arquiteto do Civismo" moldou a identidade cultural e política de sua região. Esta cadeira, portanto, celebra a união entre a erudição clássica do interior paulista e a vanguarda da comunicação contemporânea, mantendo vivo o ideal de um Brasil educado, livre e soberano em suas letras.

Assim, a Cadeira nº 18 imortaliza o ciclo perfeito da educação: onde o mestre planta as sementes do civismo e o discípulo as floresce através das letras e da comunicação, garantindo que o "vergel de amor e saber" permaneça sempre verdejante na memória nacional, permanecendo como o símbolo máximo do humanismo dedicado ao progresso social e intelectual brasileiro, e na memória acadêmica como um homem de ciência, que dedicou sua vida à difusão do saber e ao fortalecimento da identidade nacional brasileira.

Para o Membro Fundador, Manuel da Costa Carregosa (1946), a ocupação desta Cadeira reveste-se de um simbolismo profundo: o reencontro acadêmico. Carregosa, que iniciou sua jornada literária sob o incentivo do jornalista José Mauro de Vasconcelos (1920 – 1984), e consolidou-se como o "Comandante do Verbo e do Horizonte", traz para a posteridade a vivência prática de quem cruzou oceanos como aviador e fronteiras ideológicas como correspondente de guerra.

Adilson Carlos Furlan Silvestrim

Patrono: Fernando Pessoa – Cadeira Nº40.

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Cadeira 26: O Legado de Quintana na Literatura Linense

Escrito por: Cinthya Nunes Vieira da Silva
Publicado: 22 de julho de 2025

Ocupar a Cadeira n. 26 da Academia Linense de Letras não é, para mim, um exercício de vaidade, mas um compromisso de escuta. Desde a fundação desta Casa, quando escolhi a responsabilidade de honrar o legado de Mario Quintana, compreendi que a imortalidade acadêmica nada tem a ver com o mármore frio das estátuas, mas com a permanência do afeto através da palavra.

Como cronista há vinte e cinco anos, habituei-me a buscar o extraordinário no comum. E é exatamente aí que encontro Quintana. Meu patrono foi o poeta das "coisas simples", aquele que nos ensinou que "o passado não volta, e o que voltou de fato é o presente que se esqueceu de ir embora". Gaúcho de Alegrete, que fez dos quartos de hotel em Porto Alegre seu castelo de observação, Quintana viveu a literatura como quem respira: sem alarde, mas com absoluta necessidade.

Curiosamente, o homem que escolhi como patrono da cadeira 26 da Academia de Letras Linense, nunca foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Após três tentativas infrutíferas, ele nos presenteou com a maior lição de elegância literária ao escrever o "Poeminho do Contra": “Todos esses que estão aí / Atravancando meu caminho, / Eles passarão... / Eu passarinho!”. Essa essência "passarinha", que voa sobre as burocracias do mundo para pousar no coração do leitor, é o que tento imprimir em cada linha que publico nas minhas crônicas semanais.

Fazer parte de uma Academia de Letras, especialmente em nossa querida Lins, é manter acesa a fogueira da resistência cultural. Em um tempo de conexões efêmeras e textos de leitura enviesada, a Academia se ergue como um espaço de salvaguarda. É aqui que a memória da cidade se encontra com a universalidade da literatura, com a importância das letras, da educação por meio da cultura.

Os integrantes da ALL, assim, desempenham o papel de zelar pelo idioma,mas não como uma estrutura rígida e sim como um organismo vivo que traduz a identidade da língua portuguesa. Da mesma forma, os confrades e confreiras devem fomentar o diálogo, unindo gerações de escritores e leitores em torno do livro e da troca de saberes. Honrar a tradição, lembrando de que, antes de nós, vozes como a de Quintana e tantos outros, abriram caminhos para que hoje pudéssemos valorizar os espaços de leitura, é, talvez, uma das grandes missões de cada integrante desta Caso do Saber.

Ao olhar para a cadeira n. 26, sinto que a crônica e a poesia se dão as mãos. Quintana dizia que "a arte de viver é simplesmente a arte de conviver". Integrar esta Academia é, acima de tudo, celebrar essa convivência entre o ontem e o hoje, entre o patrono e a acadêmica, garantindo que a literatura continue sendo o espelho onde nossa cidade se reconhece e se orgulha. Afinal, se a vida é um dever que trouxemos para fazer em casa, escrever — seja no jornal ou no silêncio da farda acadêmica — é a nossa forma mais bonita de não deixar o tempo passar em vão.

Cinthya Nunes Vieira da Silva é jornalista, advogada, professora universitária e ocupa a cadeira 26 da ALL, cujo patrono é o poeta Mario Quintana.

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As Reflexões Sobre o Papel de Lins na Formação da ALL

Escrito por: Adilson Carlos Furlan Silvestrim
Publicado: 22 de julho de 2025

Através de seus patronos e membros fundadores, que revelam que a cidade não foi apenas um cenário geográfico, mas um útero intelectual e um laboratório de civilidade. No início do século XX, Lins emergiu como um polo de convergência ferroviária e econômica, mas foi a "vontade de cultura" de sua gente que a transformou em uma "Atenas do Noroeste".

Como o solo linense moldou essas mentes imortais?

1. Lins como Encruzilhada de Saberes (O Papel do IAL e das Escolas)

Maior ponderação sobre a formação desses pensadores reside na excelência educacional precoce da cidade. Instituições como o Instituto Americano de Lins (IAL) e as primeiras escolas públicas e particulares não apenas alfabetizaram, mas forjaram o caráter crítico de figuras como Adolfo Lemes Gilioli, Bruno Sammarco, Altamiro Ghersel Ribeiro, José Gonçalves Salvador, Fumia Hammam entre outros. Lins ofereceu a esses jovens o acesso ao que havia de mais moderno na pedagogia da época, permitindo que filhos de alfaiates, comerciantes e agricultores pudessem dialogar de igual para igual com a elite intelectual da capital. A cidade foi o "ponto de ignição" que transformou o potencial individual em autoridade acadêmica.

2. A "Escrita da Memória" na Vida Cotidiana

Considera-se que Lins proporcionou a esses ícones munícipes um sentimento de pertencimento e urgência documental. Ao caminharem por calçadas que ainda estavam sendo traçadas, os fundadores da ALL sentiram a responsabilidade jurídica e poética de registrar aquele nascimento. Lins ofereceu o "objeto de estudo": sua própria história em construção. Isso explica por que alguns acadêmicos se dedicaram a escrever as memórias da região (Promissão, Guaiçara, Avanhandava e Getulina), entendendo que a Segurança Jurídica da cidade dependia da preservação de suas raízes.

3. O Estímulo ao Pluralismo

A cidade de Lins, em sua fase áurea, foi um ambiente de simbiose entre a técnica e a arte. O papel da cidade foi o de incentivar a polivalência aos munícipes: o advogado e o professor que também eram historiadores; o fotógrafo que era escultor e artista plástico; o maestro que era pedreiro; o locutor que era animador, redator e pesquisador; o padre que era construtor; o comerciante bem-sucedido que era assistente social. Lins não exigia a especialização que isola, mas a erudição que une. Essa "atmosfera linense" permitiu que os patronos inspirassem os fundadores a criar uma Academia que não fosse um "clube de letras" fechado, mas um espelho da sociedade, onde a pintura, a escultura e as leis coabitassem sob a mesma "Ideologia de Bem-Estar".

4. Lins como "Morrer para Existir"

A reflexão final é de que Lins ofereceu a esses homens a chance da imortalidade cívica. Ao darem nomes às ruas, fundarem jornais e criarem a Academia, eles sabiam que a cidade seria o seu monumento definitivo. Lins foi o solo onde eles plantaram o nome para colher a história. Hoje, os patronos "existem" porque Lins, como instituição urbana, guardou seus rastros nas calçadas e nos arquivos que o Memorial da ALL agora organiza.

Adilson Carlos Furlan Silvestrim,

Patrono: Fernando Pessoa – Cadeira Nº40.

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