- Escrito por: Cinthya Nunes Vieira da Silva
Há poucos dias perdi um amigo. Por mais triste que seja, é inegável que se foi desse mundo como muitos anseiam. Adormeceu e foi levado por Morpheus para terras menos áridas. A morte o levou desacordado e gosto de pensar que ele acordou do outro lado, como quem chega de um sonho. Para a derradeira viagem da existência, foi de primeira classe, privilégio de poucos.
Meu amigo Shigueyuki tinha 80 anos, mas alma de moço. Mandava e-mails, tinha redes sociais e fazia posts engraçados, quase sempre com animais de estimação da família. Conversávamos pelo Messenger, o aplicativo de bate-papo do Facebook. Ele me atualizava sobre as notícias da Academia Linense de Letras, da qual nós dois somos titulares.
Sobre a Academia, inclusive, é preciso que eu diga que ele foi um dos maiores incentivadores do meu ingresso e foi através dele que estive lá em alguns momentos que me foram muito importantes. De várias formas, apenas pela amizade, ele foi a minha voz em um local que, por muito que me honre participar, pouco pude em todos esses dez anos estar presente.
Jornalista de formação, também era formado em Direito. Na internet costumava atualizar a colônia japonesa sobre os falecimentos ocorridos, sobretudo dos mais idosos. Espero que alguém o tenha substituído nessa tarefa, inclusive para noticiar o passamento dele e espero também que lhe tenham feito jus.
Fico imaginando o que ele mesmo escreveria sobre isso. Penso que mencionaria as pessoas que lhe eram importantes, mas que terminaria o texto com um “saí de férias, mas volto qualquer hora dessas” ou algo do tipo. Duvido que não fizesse graça com a situação, porém da forma que lhe era habitual, de forma inteligente e sutil. Não deixaria para os seus a marca única da tristeza.
Como sempre, não estamos preparados para morte, ainda mais quando a pessoa não está doente ou não aparenta estar. Sempre imaginamos que haverá tempo para reencontros, para conversas. Nunca há, em verdade. Vivemos ignorando que nos equilibramos em uma linha invisível e frágil chamada vida. Sequer sabemos até que ponto podemos estica-la. Só seguimos fingindo que caminhamos sobre terra firme.
Pois então meu amigo, como sempre, as despedidas ficaram no ar, pois o fio se rompeu e agora você pertence a outro lugar, aquele sobre o qual tecemos teorias, mas que desconhecemos por experiência ou do qual não nos é dado recordar. Aceite o meu carinho deixado nessas linhas, junto com a minha gratidão por todos esses anos de uma amizade improvável, mas que se realizou.
A Academia Linense de Letras perde um de seus membros fundadores, o titular da cadeira n. 22, cujo patrono é Norberto Masaru Kondó. Ficamos todos empobrecidos com sua ausência, mas acalantados com a certeza de que seu legado é muito maior do que sua vida terrena. Lembraremos do seu sorriso, da sua disposição em ajudar e do seu jeito de eterno menino. Imortal que foi, imortalizado que será. Vá com Deus! Até qualquer hora dessas!
Cinthya Nunes é jornalista, professora universitária, advogada e nunca deixa de lamentar as ausências que a existência impõe –
- Escrito por: Cinthya Nunes
O texto de hoje é um testemunho. Nem sempre minha fé é do tamanho que eu gostaria, mas se basta que seja como o grão de areia, sei que nunca me desviei de acreditar em um Deus de amor, na esperança que move os sonhos, as preces, os anseios da minha humanidade.
Cultivo o hábito de agradecer à vida, na certeza de que muitos vivem em sofrimento, em desespero. Na rotina dos dias, não raras vezes, acabamos nos esquecemos das graças vivenciadas, muitas delas, inclusive, resultado de orações pretéritas. Termos o alimento à mesa, a companhia de quem amamos, saúde e paz, são tesouros que ficam em evidência quando um deles nos ameaça escorrer pelos dedos.
- Escrito por: Cinthya Nunes
Sei que há pessoas, pouquíssimas no mundo, que não se esquecem de nada, absolutamente, daquilo que viveram. Nem sei se isso é algo necessariamente bom, porque, estou certa, todos temos momentos da vida, passagens, que desejamos esquecer, apagar. Há dores que merecem, que precisam ser enviadas a lugares inacessíveis, para que a nossa sanidade possa se manter na direção de nossos passos.
Por outro lado, sinto tanto que o tempo apague também lembranças bobas, doces, de risadas tolas entre amigos, das conversas com os avós, de tudo aquilo que aprendemos e que poderíamos usar em nosso favor. A quem, em nosso cérebro, ou em nossa alma, compete escolher o que fica e o que se vai? Talvez seja até aleatório. Talvez Freud explique; talvez ainda ninguém saiba.
- Escrito por: Cinthya Nunes
Neste momento em que escrevo, julho de 2025, minha mãe se prepara para o lançamento de seu segundo livro, resultado da reunião de textos esparsos que ela vai deitando ao papel sempre que o coração aperta pela saudade ou se expande pela alegria.
Escritos à mão, em qualquer papel que estiver disponível, ela usa das palavras para expor os sentimentos que vão se acumulando na loucura das horas, preenchendo os vazios das ausências impostas e indesejadas, ou para expressar o amor das palavras que são tímidas para escaparem pela boca ou pelos abraços. Escrever é a sua segunda língua, o refúgio que a acolhe quando o sentido das coisas se esvai.
- Escrito por: Cinthya Nunes
Nas últimas semanas, notícias sobre acidentes fatais envolvendo turistas brasileiros, em território nacional e no exterior, chocaram o Brasil. Em Santa Catarina, na cidade de Praia Grande, um balão com vinte e uma pessoas pegou fogo por conta de um maçarico, despencando pouco após deixar o chão. Treze feridos e oito mortos foi o triste saldo do passeio.
Pelo que li até o momento, as exatas causas do acidente continuam indeterminadas, mas as investigações buscam verificar se os equipamentos, sobretudo o maçarico, estavam em ordem, bem como se o piloto agiu de acordo com os protocolos aplicáveis. De uma forma ou de outra, nada trará de volta as vidas perdidas.
