• Patrono: Cadeira nº 17

José Gonçalves Salvador nasceu de parto normal, em domicílio, na cidade de Lins, Estado de São Paulo, em 8 de setembro de 1916. Descendente de imigrantes portugueses.

Filiação:

Elias dos Anjos Gonçalves Salvador, pai. Comerciante.

Encarnação Gonçalves Cardozo, mãe.

Seus progenitores eram oriundos de Coimbra, Portugal, e migraram para o Brasil durante o período da Primeira Guerra Mundial, que ocorreu de 1914 a 1918, fixando-se em Lins, de onde nunca mais saíram.

Elias e Encarnação casaram-se em Coimbra, Portugal. Do casamento, nasceram quatro filhos: Judite, primogênita e Manuel Gonçalves Salvador, ambos nasceram em Coimbra, José Gonçalves Salvador e Celina nasceram em Lins.

Bisavós Paternos: Joaquim dos Anjos Gonçalves Salvador e Joaquina Miranda

Avós Paternos: José dos Anjos Gonçalves Salvador e Ana Rodrigues Azenha (descendente da família Craveiro). Imigrantes Portugueses.

Avós Maternos: Joaquim Cacão e Rosa Dias Cardoso.

No início da década de 1910, a família Gonçalves Salvador viveu em Barretos, São Paulo, após alguns anos, a família mudou e Elias se estabeleceu em Lins como empresário, e com dinâmica, implantou a agência de automóveis, venda de carros da marca FORD, a gasolina, comércio de secos e molhados, situada na esquina da Rua Sete de Setembro, cruzamento com a Rua Campos Salles (Eletrolinense), e a cachaçaria, que comercializava aguardente de cana-de-açúcar, localizada à Rua Osvaldo Cruz, 29, (antigo Luzitana I). Na ocasião, houve associação de dois irmãos com a firma “Gonçalves Salvador & Companhia, em 1919 e 1920.

Em Guaiçara, [...] no início de 1920, Elias Gonçalves Salvador resolveu lotear seu sitio, e o local foi tomando aspecto de povoado. Construiu uma loja e nela colocou um amigo de confiança – Manuel Meira de Abreu Amorim – que também representava Elias na venda dos lotes de terra.

Em 1922, [...] Guaiçara surgiu assim: à margem direita do km 163 da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, o povoado iniciado por Elias dos Anjos Gonçalves Salvador, à margem esquerda, outro núcleo iniciado por Antônio Francisco dos Santos Júnior. A rua principal passou a ser a que margeava a ferrovia pelo seu lado esquerdo – atual Rua 9 de Julho.

Fonte: https://www.memorialdosmunicipios.com.br/guaicara/lins.

E no início da década de 1930, com o colapso financeiro ocorrido no Estados Unidos, a família enfrentava muitas dificuldades parcimoniosas, além dos problemas políticos, econômicos e sociais que haviam em Lins. Na ocasião, diversos fazendeiros, empresários, comerciantes entre outros, se organizaram em apoiar o fundador da escola Clement Evans Hubbard, mantendo a educandário e matriculando seus filhos na instituição educacional.

Em Lins, José Gonçalves viveu sua infância e adolescência em Lins, onde cursou o ensino primário e concluiu o ginasial em dezembro de 1935, contando para isso com o acolhimento do Instituto Americano de Lins (IAL), pois a família sofria por muitas dificuldades econômicas

José Gonçalves Salvador tornou-se um incansável estudioso, enquanto viveu sua vida.

Em 1936, ingressou no curso de Ciências e Letras, pelo Instituto Grambery, mantido pela Igreja Metodista, em Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais, abrangendo: Sociologia, Psicologia, Literatura Brasileira, grego e hebraico. Conheceu a jovem e futura professora, Alice Pereira do Lago em sala de aula, foram colegas de classe e se apaixonaram. José Graduou-se em 1938.

Algum tempo depois, a jovem Alice e José se casaram, que passou a se chamar Alice do Lago Salvador. Tiveram quatro filhos: Lineide do Lago Salvador, Marineide do Lago Salvador e José do Lago Gonçalves Salvador.

Graduou-se em 1939, em Teologia, sendo o primeiro aluno pela Faculdade Metodista, posteriormente transferida para São Bernardo do Campo, em Rudge Ramos, preparando-se para exercer o ministério pastoral. Era humilde, disciplinado, organizado, pesquisador e culto.

Ingressou no ministério da Igreja Metodista em 1940. Nomeado, foi pastor nas cidades de Pirajuí e Guarantã, cidades do interior do Estado de São Paulo.

Na época, José Gonçalves Salvador também passou a colaborar com a imprensa do interior paulista e da Capital, destacando-se o Jornal de São Paulo, sob a direção de Guilherme de Almeida, fundador.

Entretanto, foi pastor das cidades de: Pirassununga, Limeira, Promissão e Birigui no Estado de São Paulo, e em Poços de Caldas, situada ao sul do Estado de Minas Gerais, no período de oito anos, de 1940 a 1948, antes de se transferir para São Bernardo do Campo, em São Paulo.

Em São Bernardo do Campo, José Gonçalves Salvador, em 1949, foi chamado para integrar o corpo docente da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, hoje Universidade Metodista do Estado de São Paulo - (UMESP), em Rudge Ramos, onde participou, por vinte anos, da formação de várias gerações de futuros líderes religiosos. Anos depois, no Instituto Metodista em Rudge Ramos lecionou no Magistério Superior.

Exerceu funções nos Conselhos Diretores dos Institutos: Noroeste (Birigui), Americano (Lins) e Piracicabano (Piracicaba), todos no Estado de São Paulo.

Unindo seu interesse em conhecer e algumas lacunas que percebeu no exercício da docência, escreveu e publicou vários livros no campo de História da Igreja:

O Didaquê ou Ensino do Senhor Através dos Apóstolos (Manual de Catequese e de Disciplina da Igreja Primitiva), Tradução, texto e comentário. Edição de 1957 e 1993;

Arminianismo e Metodismo. Estudo histórico - dogmático, em 1958;

Vida e Epístolas de Clemente Romano – fim do Século I. Tradução do texto e comentários, em 1959;

Os Cristãos-Novos nas Capitanias do Sul – Séculos XVI e XVII, em 1962;

Os Cristãos-Novos, Jesuítas e Inquisição, em 1968; Recebeu Menção Honrosa, do Instituto Nacional do Livro, com o prefácio de Sérgio Buarque de Holanda;

Os Cristãos-novos: Povoamento e Conquista do Solo Brasileiro, em 1976; Recebeu Prêmio “José Ermírio de Moraes”, do Pen Center de São Paulo;

José Gonçalves Salvador recebeu também o Prêmio Erudição, da Academia Brasileira de Letras, em 1979.

Os Cristãos-Novos e o Comércio no Atlântico Meridional, publicado em 1978; Recebeu Menção Honrosa, concorrendo pelo Prêmio em História, pelo Instituto Nacional do Livro e do Ministério de Educação e Cultura.

Este Homem Confiou no Brasil nos Brasileiros. (Biografia do Educador Clement Evans Hubbard, fundador do Instituto Americano de Lins – IAL, em 1978, com 20 páginas;

Os Magnatas do Tráfico Negreiros, em 1981;

História do Metodismo no Brasil, em 1982; dedicado historiador sobre o metodismo brasileiro na região de Piracicaba, sua estrutura pedagógica em 1870. A ideia era de ser alternativa ao catolicismo.

Os Cristãos-Novos em Minas Gerais durante o Ciclo do Ouro – 1675 – 1755, em 1992;

A Capitania do Espirito Santo e seus Engenhos de Açúcar, em 1993;

Do Amanhecer ao Pôr-do-Sol – Autobiografia Resumida, em 1995;

Vozes da História, em 2001. Consequência de investigações fundamentais ao longo de vários anos, que foram efetivadas em museus e arquivos do Brasil e Portugal. José recebeu através de requerimento nº19/2002, a Monção de Congratulações, pelo lançamento da obra, “que traz contribuição singular para esclarecimento de alguns aspectos de nossa história”, através da Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, no dia 6 de fevereiro de 2002.

Verbetes na Enciclopédia “Of World Metosisme”, Volumes II e II.

José Gonçalves Salvador publicou o artigo “O Rio de Janeiro Visto por um Americano em 1835, os artigos: Wilberforce, João Wesley e a Independência do Brasil”, no jornal “Expositor Cristão”, em 1959, entre outros.

Elaborou e publicou vários artigos, que foram publicados na Revista de História da Universidade de São Paulo – (USP):

Os Transportes em São Paulo no Período Colonial, em 1959;

Descobertas no Deserto da Judéia, em 1960;

A Lei de Imprensa e do Comercio de Livros, de Felipe II, e seus reflexos na América Luso-Espanhola, em 1961;

O Grande Navio de Amacon. Síntese da obra: The Great Ship of Amacon, de Charles Ralph Boxer, em 1962;

“Os Franceses na Guanabara - Correspondência da França Antártica entre Villegaanon e Calvino”. Textos em latim, tradução e comentário, em 1964. Pesquisa realizada em Genebra, Suíça

A Reforma Protestante, face a alguns problemas de sua época, em 1967.

Monografias publicadas no Suplemento Literário do Jornal “O Estado de São Paulo:

Capitão-Mor João Pereira de Souza, o Botafogo; O Enigmático Frei Manuel Calado, autor de Valeroso Lucideno; A Imigração Judaica para as Capitanias do Sul; Bandeirantes, Cristão –Novos e Judeus.

Outras obras do mesmo autor vinculados com a Universidade de São Paulo – (USP).

A Restauração da Alta Linguagem Política;

Fontes Manuscritas do "Comércio livre";

Política Pombalina na Colonização da Amazônia: (1755-1778);

Expansão Europeia e Descobrimento do Brasil Real, Consulado de Caracas (1793-1810);

A História do Cacau na Economia Atlântica;

Comercio Livre entre Havana e os Portos de Espanha: 1778-1789;

Companhia Geral de Grão para o Maranhão (1755-1778), contribuição para o estudo do fomento ultramarino português no século XVIII.

José Gonçalves Salvador foi sempre aplicado, e assim, conciliou à docência com a sua formação acadêmica e concluiu o curso de História e Geografia, separadamente na Universidade de São Paulo - (USP), em 1958, onde, pela mesma universidade, obteve o Doutorado em Ciências Humanas, em 1967, com pesquisas realizadas sobre os Cristãos-Novos em Portugal e no Brasil. José retornou a Portugal, para pesquisas em 1970 e 1977. A respeito desse tema, publicou vários livros, sendo premiado por vários deles.

Em 1963, José participou do V Colóquio de Estudos Luso-Brasileiros, em Coimbra, Portugal.

Em 1969, José Gonçalves Salvador voltou a exercer o pastorado na Igreja Metodista, assumido, sucessivamente, a responsabilidade pelas paróquias de: Campo Belo (São Paulo), Cunha (Vale do Paraíba), Rudge Ramos (São Bernardo do Campo), e Santo Estevão (São Paulo).

Em 1980, a Universidade Metodista conferiu-lhe o título de “Professor Emérito”, em reconhecimento por seu trabalho, onde lecionou por muitos anos no Instituto Metodista de Ensino Superior, em São Paulo.

Bacharel em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, em 1987, em São Paulo.

Naquela época, de autoria do vereador Lenildo Freitas Magdalena, a Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, em sessão realizada no dia 03 de março de 1993, aprovou e, Gilberto Frigo, Presidente, promulgou o Decreto Legislativo 456, outorgando, e tendo sido homenageado com o título de "Cidadão São-Bernardense".

Ao aposentar-se em 1995, foi membro do Conselho de Educação, Cultura e Esportes do município de São Bernardo do Campo.

Durante sua vida acadêmica, conviveu com estudiosos e pesquisadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e do Instituto Genealógico do Brasil.

Pertenceu à Academia Paulista de História, cadeira 40, à Academia Paulistana de História e à União Brasileira de Escritores (UBE).

Com a saúde debilitada, José passou a usar cadeira de rodas, e algum tempo depois, faleceu em 30 de junho de 2006, com 89 anos, deixando a segunda esposa Anídia Barreto César, as suas filhas: Lineide do Lago Salvador Mosca, professora de português, Marineide do Lago Salvador Santos, professora universitária e seu filho José do Lago Gonçalves Salvador, Biólogo, Terapeuta Holístico e membro da Companhia Energética do Estado de São Paulo – CESP, além de seis netos: Aquiles, Fábio, Péricles, Rafael, Ulisses e Wesley, e a todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo pelo seu conveniente arquétipo.

Dias depois, pela vontade política das autoridades municipais, a Câmara Municipal decretou, e no dia 10 de agosto de 2006, o ex-Prefeito Willian Dib promulgou a Lei nº 5560, denominando a Escola Municipal Infantil Primária “Professor José Gonçalves Salvador”, situada à Rua Maria Josefa Mendes, nº 15, no Jardim Farina, em São Bernardo do Campo, Estado de São Paulo.

Alguns anos depois, em 2010, o admirável professor José Gonçalves Salvador foi homenageado como Patrono da cadeira 17, da Academia Linense de Letras, Lins, Estado de São Paulo, pela Fundadora Roseanna Marie Coffey Torres.

 

Texto produzido pelo acadêmico Adilson Carlos Furlan Silvestrim, ocupante da cadeira 40 da Academia Linense de Letras, tendo por patrono Fernando Antonio Nogueira Pessoa. Biografia baseada, em documentos obtidos pela Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, São Paulo e através de depoimento de Juliza Bragato, professora aposentada, artista plástica e sobrinha de José Gonçalves Salvador