O sobrenome original alemão é HASTENREITER, que significa “Cavaleiro Ligeiro”. Houve sugestão incorreta de separar o sobrenome para Hasten Reiter, por interpretar erroneamente que a palavra haste era de origem inglesa, que significa pressa, e hasten constitui acelerar. Apenas na família de Nicolau há esta diferença do sobrenome, nos demais familiares o sobrenome continua inédito.
Nicolau Hasten Reiter nasceu no dia 16 de julho de 1900, em Muriaé, interior da região sudeste do Estado de Minas Gerais. Descendente de imigrantes alemães.
Filiação: Gustavo Hasten Reiter – pai. Farmacêutico. Leopoldina Hasten Reiter – mãe. Do Lar.
Do casamento de Gustavo e Leopoldina, o casal gerou: Nicolau, Anísio, Sophia e Hermínia Bicalho HastenReiter.
Conforme apontamento de Nicolau Gustavo Hasten Reiter, filho de Nicolau:
Na infância, “Quando contava seis ou sete anos o então menino Nicolau, caiu do alto da escada do sobrado em que morava com seus pais, fraturando o frontal esquerdo e ficando desacordado. Seu pai, renomado farmacêutico, rapidamente acompanhou-o, levou-o a seu quarto e, notando o grave ferimento, teria balbuciado sob forte emoção: “eu sou pequeno..., mas Deus é maior que a escada!”. Ficou sem os pais – (órfão) aos oito anos de idade. Conforme expressão do filho Nicolau Gustavo “Mas, as dificuldades da vida, nunca serviram de obstáculos para este homem que tinha no - “aprender, saber, ensinar” – o tripé de sustentação de sua vida, acima do qual estavam apenas e tão somente, sua inabalável fé e sua inesgotável disposição de servir a Deus e propagar as verdades de Sua Palavra.” Durante sua vida foi jornalista, escritor, poeta, excelente orador, político, professor e Ministro do Evangelho (Reverendo da Igreja Metodista e Presbiteriana).
Nicolau estudou muito e concluiu sua formação escolar: primário, ginasial e colegial no Estado de Minas Gerais.
Em 1923, graduou-se em Ciências e Letras. Foi orador do Clube Cultural de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Nicolau recebeu homenagem como Patrono do primeiro Conjunto Musical Acadêmico, do Grêmio Lítero Contábile - (local e data ignorados).
Em 1933, graduou-se na Faculdade de Teologia “O Grambery”, em Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais. Após a formatura, colocou-se à disposição de Deus, pois tinha fé inabalável.
Com a aprovação do Decreto nº492, pelo Grande Oriente do Brasil, Nicolau foi cadastrado no grau 18, “Rose-Croix” (Rosa Cruz), em 01 de fevereiro de 1934, sob o nº45456, membro da Loja Maçônica Fidelidade Mineira do Brasil, em Juiz de Fora,
Segundo informações do filho Nicolau Gustavo Hasten Reiter “Ainda em Minas, atuou como redator e colaborador de diversos jornais, e fundou a primeira Escola de Comércio desse Estado”. Tempos depois foi trabalhar no Rio de Janeiro.
Anos depois, Nicolau saiu do Instituto Latino de Educação, Bairro Cascadura, no Rio de Janeiro, e seguiu para São Paulo.
Em Lins, Nicolau Hasten Reiter conheceu e se casou com Olinda Camargo Pupo, no dia 31 de dezembro de 1936, com quem teve duas filhas: Marisa e Vera Silvia. O casamento e a recepção ocorreram na residência do casal, sita a Rua Campos Salles, 645, em Lins. Tempos depois, Olinda, ainda jovem, faleceu de câncer no dia 26. de janeiro de 1946, em São Paulo.
No governo de Getúlio Vargas, Fernando de Sousa Costa, foi interventor federal de 1941 a 1945, no Estado de São Paulo. Na época, o professor Nicolau foi membro da Comissão de Bibliotecas e Museus;
No período de 16 de novembro de 1944 a 13 de janeiro de 1945, Nicolau colaborou no projeto ligado à Igreja Metodista, com a instalação da Escola Normal e a criação da Faculdade de Ciências Econômicas do Instituto Americano de Lins – (IAL), da qual também foi professor e primeiro diretor. Era graduado em Pedagogia e com especialização em Ciências Econômicas.
Segundo dados do filho Nicolau Gustavo, na instituição, Nicolau foi professor por muitos anos na área de educação, nas disciplinas de: Português, Francês, Inglês, História do Brasil e da Civilização, Direito Constitucional, Economia, Filosofia, Pedagogia, Sociologia, Psicologia e outras. Pertencia a plêiade dos excelentes professores do instituto.
Escreveu a letra do Hino lalense – Instituto Americano de Lins e a música foi composta pelo Professor, instrumentista e musicista José Raab.
Presidiu o Rotary Clube de Lins nos biênios de 1944/1945 e 1946/1947;
Foi filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro em Lins;
Nicolau não sofria de moléstia infectocontagiosa ou abjeta, nem tinha deficiência física ou psíquica. Seu estado de saúde era satisfatório.
Onze anos depois, e com dificuldades de criar as duas meninas Marisa Hasten Reiter (12/10/1942) e Vera Silvia (09/04/1945), Nicolau conheceu a jovem Helena Barbosa Souto, natural de Lins e professora primária, com quem contraiu boda em 04 de julho de 1947, em Lins. “A contraente passou a adotar Helena Souto Hasten Reiter”, com 22 anos. O casamento e a recepção ocorreram na residência do casal, sita a Rua Campos Salles, 645, em Lins. Do casamento, nasceram: Cleuse Hasten Reiter, professora e Nicolau Gustavo Hasten Reiter, publicitário.
O professor Nicolau permaneceu muito anos em Lins. Tinha idoneidade moral e conduta irrepreensível. Era um homem altruísta, merecedor de fé e educador, e firmemente serviu o próximo, pois foi membro da Igreja Metodista de Lins e Promissão
Em 1947, os alunos estavam honrados com a história e a obra do professor Nicolau Hasten Reiter, que assumiu a cátedra de aulas de português, dos cursos do Instituto Americano de Lins – (IAL), portanto, foi paraninfo da turma de ginásio. Seu desempenho profissional no Instituto Americano de Lins foi brilhante e definido até em 1957.
A Secretaria de Educação e Cultura do Estado de São Paulo, requisitou-o em 1957, para ir a São Paulo, cujo emprego balançava entre o sacerdócio de ensinar e a toga.
Nicolau Haster Reiter trabalhou como professor durante anos nos Institutos: Plínio Barreto e no de Vila Formosa, em São Paulo, onde os alunos foram instruídos com o encaminhamento ponderado e aprazível.
Colaborou com as instituições locais de cultura, de serviços e principalmente, com aquelas que tinham vertentes filosóficas. Assim, transformou sua vida.
Sua esferográfica ficou registrada na credencial, publicação sob o nº 223, na Associação Paulista de Imprensa, em São Paulo, e na Associação de Imprensa de Minas, matrícula nº81, em Juiz de Fora, em 15/03/1933.
Colaborou com vários artigos nos jornais:
O Progresso; A Folha de Lins; A Gazeta de Lins; O Diário Popular e O Tempo, do qual este último foi agente correspondente, credenciado sob nº765, de 1958;
Foi redator dos jornais supracitados. Também colaborou com a revista “A Rubiácea”.
Nicolau foi o Homem da Lei da Loja Maçônica “União Brasileira, em Lins”.
No período de 16 de novembro de 1944 a 13 de janeiro de 1945, Nicolau colaborou na instalação da Escola Normal do Instituto Americano de Lins – (IAL). Na instituição foi professor da área de educação, nas disciplinas de pedagogia e psicologia. Pertencia a plêiade dos excelentes professores do instituto.
No dia 15 de outubro de 1945, o professor Nicolau fez o uso da palavra, referente a fundação da Sociedade Amigos de Lins. Na época, o ato ocorreu no salão da Associação dos Bancários de Lins. E o historiador Altamiro Ghersel Ribeiro, registrou na sua obra Lins e seus Pioneiros, publicada em 1995. Nicolau e outros [...] prestando uma significativa homenagem ao Dr. Ulysses Silveira Guimarães, Consultor Jurídico do Conselho Administrativo do Estado de São Paulo, pelos serviços prestados a Lins, que ali comparecera.
Nicolau foi nomeado pelo Decreto em 28 de fevereiro de 1947, publicado no diário Oficial no dia 06 de março de 1947. A posse e o exercício foram na No Colégio Estadual e Escola Normal de Lins (Escola Estadual “21 de Abril”), como Professor Secundário, em caráter interino, em 21 de março de 1947 a 14 de setembro de 1949. Neste período, Nicolau exerceu o cargo de Professor de Psicologia e Pedagogia. Foi exonerado por Decreto, em 13 de setembro de 1949, publicado no Diário Oficial em 14 de setembro de 1949.
Trabalhou no Instituto de Educação “Anhanguera”, no bairro da Lapa, em São Paulo, como professor da disciplina das aulas de português, no período de 16 de abril de 1948 a 15 de março de 1950. Na mesma instituição educacional, Adolfo Lemes Gilioli, lecionou aulas de matemática e desenho, no período de 1952 a 1957. Nicolau retornou à instituição Anhanguera anos depois foi homenageado pelos estudantes como Patrono da turma em 1967, em São Paulo
Nicolau foi nomeado por concurso de remoção, procedente do Ginásio Estadual da cidade de Birigui, São Paulo, pelo Decreto de 13 de fevereiro de 1951, e publicado no Diário Oficial em 17 de fevereiro de 1951. Em caráter efetivo, posse e exercício em 01 de março de 1951. Lecionou aulas de: Português, Inglês, História Geral e do Brasil.
Foi vereador em Lins no período de 1952 a 1955, sendo primeiro secretário e presidente da Comissão de Educação. Foi líder do Partido Trabalhista Brasileiro – (PTB). Tinha oratória admirável!
O professor Nicolau Hasten Reiter foi relator da Escola Estadual “21 de Abril”, de relatório com cinco folhas, que foi encaminhado ao Congresso Estadual de Educação em Ribeirão Preto, ocorrido de 16 a 23 de setembro de 1956, conforme acordo com a congregação reunida em agosto de 1956. Abordou os temas: Curso Primário; Curso de Formação Profissional; Educação Física; Organização e Estatística; A Comunidade e a Escola e Assistência Médica.
Se mudou para São Paulo, Capital com 58 anos, como professor concursado.
Em 1958, no jornal “O Tempo”, Flamínio Fávero, docente de Medicina Legal, foi entrevistado por Adolfo Lemes Gilioli e Nicolau Hasten Reiter.
Nicolau Hasten Reiter era poeta, e na obra “Lins e Seus Pioneiros”, do historiógrafo Altamiro Ghersel Ribeiro, publicada em 1995, foi registrado que: “era professor de Português, no “Instituto Americano” e, com sua cultura, apresentava um trabalho burilado e expressivo, em seus versos que cantavam a beleza da natureza e da vida, em toda a sua plenitude.”
Na época, Nicolau foi investigado pela Inspetoria Seccional de São Paulo, em caráter confidencial, conforme ofício 421/60, de 03 de fevereiro de 1960, solicitando ao Inspetor Federal (Diretor) do Colégio Estadual (Escola Estadual “21 de Abril”), se Nicolau tinha competência, eficácia e integridade para ser Diretor de Escola. Foi respondido que “O interessado pode exercer com eficiência, dignidade e elevação o cargo de diretor de estabelecimento secundário”.
Compulsoriamente, Nicolau se aposentou em 1970, aos 70 anos, em São Paulo.
Recebeu da maçonaria em São Paulo, em 1992, a mais alta honraria prestada pelo Grande Oriente do Brasil a seus membros: a Comenda Gonçalves Lêdo.
Trinta e oito anos depois, o informativo Universidade publicou no dia 13 de outubro de 1975, artigo de Adolfo Lemes Gilioli, intitulado “Gloria ao Mestre”, onde “os ialenses de 1937, na pessoa do professor Nicolau, saúdam todos os mestres”.
Nicolau Haster Reiter faleceu com 92 anos, em São Paulo, no dia 10 de março de 1993. Causa da Morte: Abscesso intra-abdominal, apendicite aguda supurada, demência senil e câncer de próstata.
Em 2010, o admirável professor Nicolau Haster Reiter foi homenageado como Patrono da cadeira 1, da Academia Linense de Letras, Lins, Estado de São Paulo, pelo Fundador Adolfo Lemes Gilioli.
